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O desafio de achar evidências para políticas públicas

31 Aug 2017

Um dos desafios para a incorporação do conhecimento técnico-científico no processo de planejamento e execução de políticas públicas é a dificuldade atual para identificação das melhores evidências disponíveis. Apesar da produção acadêmica hoje existente ser imensa, com algumas dezenas de milhões de artigos publicados, não é tarefa simples encontrar esses artigos, selecionar aqueles que são mais relevantes, compreendê-los e utilizar seus achados para intervir sobre o mundo concreto.

 

 

Diante dessa dificuldade, tem crescido no mundo o debate sobre estratégias para facilitar esse processo. Uma primeira ferramenta, cujo objetivo é facilitar a busca dos estudos disponíveis, são as bibliotecas acadêmicas virtuais, as quais reúnem referências bibliográficas bem como resumos e palavras-chaves de milhões de publicações, permitindo que o esforço de busca pela literatura relevante de um campo de interesse fique circunscrito a uma única plataforma. Alguns exemplos são a BVS (Biblioteca Virtual de Saúde), que reúne publicações do mundo todo da área da saúde, ou a SciELO (Scientific Electronic Library Online), que reúne publicações de periódicos brasileiros e de outros países em diversas áreas do conhecimento.

 

A busca por meio dessas plataformas sem dúvida é mais fácil do que acessar o site de cada uma das revistas de determinada área e pesquisar por possíveis títulos interessantes. No entanto, dado o volume atual de produções, essas plataformas dificilmente retornam um resultado simples e fácil de ser manejado. Se alguém estiver interessado em saber mais sobre uma condição qualquer de saúde, por exemplo “hipertensão”, e lançar essa palavra na BVS, serão encontrados quase 300.000 resultados. Ou seja, trata-se de um volume de informações impossível de ser manejado, especialmente se o interessado for um gestor que precisa tomar uma decisão com urgência (o que é muito comum).

 

Para resolver esse problema, novos estudos têm sido feitos, com o objetivo de sintetizar e ponderar a produção já existente sobre um assunto x. Esses estudos, tais como Revisões Sistemáticas e Meta-Análises, se propõem levantar, analisar, avaliar e sintetizar toda a literatura disponível (acadêmica e não acadêmica) sobre um assunto. A partir deles, o leitor teria então um material sintético com o “estado da arte” a respeito do tema de interesse, e não precisaria se debruçar sobre a vasta literatura existente.

 

Apesar de muito poderosas, essas ferramentas de síntese da produção ainda não são facilmente assimiláveis pelo público que está fora das universidades. Isso porque a linguagem e o formato utilizados são estritamente acadêmicos, de difícil compreensão para os não iniciados. Ademais, como qualquer outro trabalho científico, este material tende a estar disponível nas mesmas bases de dados dos estudos primários que lhes serviram de fundamento e assim vão estar naquele mesmo bolo de dezenas ou centenas de milhares de publicações que retornam em buscas nas bibliotecas virtuais.

 

Mas, calma, nem tudo está perdido! Diante dessas dificuldades, novas estratégias e ferramentas vêm surgindo, mais alinhadas com as necessidades do público que irá consumir essas informações, em especial a gestão pública. Um bom exemplo disso é a plataforma Health Evidence, na qual constam apenas Revisões Sistemáticas que avaliem a efetividade de intervenções em saúde pública. Outro exemplo é a plataforma do What Works Center for Crime Reduction, na qual profissionais da área de segurança pública podem encontrar uma lista de possíveis intervenções que já foram objeto de revisões sistemáticas junto com indicações de efetividade, aplicabilidade etc. Uma outra forma de abordar o problema é por meio da produção de novos materiais que sintetizam e apresentam em linguagem acessível a literatura disponível. Para tanto, existe por exemplo a Ferramenta SUPPORT da Organização Mundial da Saúde, a partir da qual uma pergunta da gestão pública é respondida por meio da elaboração de uma síntese de evidências, tais como:

 

 

 

Apesar de sua relevância, essas ferramentas e esse debate ainda são novidade tanto para o meio acadêmico quanto para a gestão pública, e ainda temos uma longa jornada pela frente antes que estes dois mundos possam trabalhar de forma intrinsecamente articulada. Assim, ainda é difícil encontrar respostas para muitas das questões fundamentais da gestão pública. No entanto, os esforços que já foram realizados são bastante positivos, e a missão do Instituto Veredas é divulgá-los e fortalecê-los para que nossas políticas públicas tenham a oportunidade de incorporar o que há de melhor no conhecimento hoje disponível.

 

#VereDICA:

No geral os mecanismos de busca dessas plataformas permitem fazer buscas mais refinadas, utilizando-se conectores como

AND”, quando queremos resultados que considerem artigos onde aparecem as duas palavras pesquisadas, p. ex. hipertensão AND idosos

OR”, quando queremos resultados que considerem artigos onde aparecem ou uma ou outra das palavras pesquisadas, p. ex. hipertensão OR pressão arterial

NOT”, quando queremos resultados que considerem artigos onde aparecem uma das palavras buscadas e não a outra, p. ex. hipertensão NOT medicamentos

Isso diminui bastante o número resultados, mas que mesmo assim costuma ser grande.

 


***

 

Davi Romão é co-fundador do Instituto Veredas. Psicólogo e mestre em Psicologia Social pela USP, é Analista de Políticas Sociais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde atua como Coordenador de Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

 

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