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Na prática, a teoria é outra

27 Jul 2017

Por que teorias acadêmicas são tão pouco utilizadas nos processos de tomada de decisão da gestão pública?

 

É muito comum ouvirmos que uma coisa é a teoria e outra coisa, completamente diferente, é a prática. Essa ideia se refere à impossibilidade, frequentemente encontrada em várias áreas de atuação, de incorporarmos na prática cotidiana elementos de modelos teóricos abstratos e estanques, que simplificam a realidade ou mesmo que se distanciam dela, a partir de pressupostos que se revelam frágeis no enfrentamento de situações concretas.

 

Apesar dessa ser uma situação frequente, no entanto, a ideia de que prática e teoria estão separadas não se sustenta. Qualquer atividade prática tem como fundamento uma teoria sobre o mundo e sobre como as escolhas concretas afetarão a realidade para construção da situação almejada. Ninguém escolhe fazer X ou Y sem estimar anteriormente que X ou Y era a opção mais adequada para aquela situação. Ou seja, por trás de qualquer tomada de decisão prática, há uma teoria, que pode ser explícita e consciente, pode ser tácita, ou mesmo pode ser desconhecida para os atores que tomaram a decisão.

 

Na gestão pública, essa realidade é constante: nenhuma política pública é construída sem que se tenha um conjunto de hipóteses (mesmo que pouco explícito e estruturado) sobre de que forma cada escolha levará ao objetivo almejado. O que acontece, no entanto, é que essa “teoria pragmática” raramente está fundamentada nas teorias formais e técnicas do que deve ser o planejamento e a execução de uma ação, ou no saber científico disponível sobre o problema que a gestão está procurando enfrentar.

 

Assim, a questão que se coloca não é por que teoria e prática estão afastadas, mas sim por que a teoria mais formal e técnica pode estar tão afastada das “teorias pragmáticas” utilizadas no cotidiano da gestão. Esse distanciamento se deve a uma série de barreiras e desencontros, os quais podem ser resumidos aos diferentes ritmos, linguagens e interesses que existem atualmente entre gestores e produtores de conhecimento.

 

Essas diferenças têm impossibilitado uma maior integração entre esses grupos, gerando dois tipos de teoria, com suas forças e fraquezas: aquela que é fundamentada no saber científico, mas, muitas vezes, distanciada da concretude da vida cotidiana; e aquela que é alinhada com os fatores locais e específicos (críticos para a implementação de uma política), mas que deixa de levar em consideração todo o conhecimento técnico-científico já disponível sobre os assuntos em questão.

 

O Instituto Veredas acredita que esses dois campos de saberes são fundamentais para o aperfeiçoamento da nossa gestão pública, e que é urgente que sejam construídas pontes para que eles possam ser integrados no processo de desenho e implementação de políticas públicas. Para isso, queremos aprofundar e disseminar no Brasil o debate sobre Tradução do Conhecimento e Políticas Informadas por Evidências (saiba mais).

 

***

 

Davi Romão é co-fundador do Instituto Veredas. Psicólogo e mestre em Psicologia Social pela USP, é Analista de Políticas Sociais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde atua como Coordenador de Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

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