InovaEscola apresenta pesquisa inédita sobre inovação no Ministério Público, desenvolvida com apoio do Veredas

por Ascom InovaEscola

21 de jun de 2021

5 min de leitura

A burocracia nas contratações, as barreiras normativas e regulatórias, a sobrecarga de trabalho dos colaboradores e a carência de capacidade técnica são alguns dos entraves encontrados no Ministério Público para a inovação. Esses resultados estão em pesquisa inédita realizada pelo Instituto Veredas em parceria com o InovaEscola – Laboratório de Transformação da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). Na tarde desta quinta-feira (17), foram apresentados os principais achados do 1º Diagnóstico do Ecossistema de Inovação do MP. A pesquisa investigou quem são e onde estão os atores e os patrocinadores das iniciativas relacionadas à inovação na instituição e quais são os principais incentivos e entraves sobre esse tema no âmbito do MP. Assista.

O evento celebra o primeiro aniversário do InovaEscola. Moderador da atividade, o especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental Guilherme Almeida, cofundador do GNova –  laboratório de inovação pioneiro do Governo Federal, falou sobre a importância da inovação no setor público. “É preciso evoluir para que a inovação passe do individual para o institucional e do institucional para o sistêmico”, enfatizou. Ele contou a experiência do diagnóstico do ecossistema do Executivo, realizado em colaboração com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “A questão não é mais o custo de inovar, mas sim o de não inovar”, completou.

A líder de Inovação e Estratégia da ESMPU, Lígia Maria Lopes Reis, e o diretor-executivo adjunto do Instituto Veredas, Davi Romão, apresentaram os principais resultados do diagnóstico. “Foi preciso encontrar o equilíbrio entre a vastidão de temas e sobre o que valeria a pena se debruçar. Decidimos mapear o ecossistema de inovação no MP, sistematizar e consolidar as informações e o conhecimento sobre o tema, obter insights capazes de gerar propostas e estratégias de fomento e gerar evidências que norteiem iniciativas e projetos para o MP”, explicou Reis.

Romão discorreu sobre os métodos da pesquisa exploratória, que contou com questões semiestruturadas, entrevistas em profundidade anonimizadas e diversidade de atores dos quatro ramos do MPU. A pesquisa investigou 15 tópicos como intervenções, fatores transversais, barreiras, incentivos e riscos à inovação; definição do termo, cultura institucional, sustentabilidade de mudanças institucionais, transformação digital e transparência.

“Um dos objetivos do trabalho foi registrar, entender e compartilhar o ecossistema para que aqueles que se juntem à iniciativa tenham uma curva de aprendizagem mais rápida. O trabalho também será um apoio na construção de uma agenda comum, que viabilize soluções e possa, ainda, contribuir para o fortalecimento do tema no MP”, completou.

Principais achados – A pesquisa buscou definir o significado de inovação para o MP e identificar as principais barreiras e os incentivos. De acordo com os resultados, o Ministério Público entende que inovação não é exclusividade do setor privado e está associada a mudança, seja no desenvolvimento de novas formas de solucionar problemas ou na melhoria do que já existe. Depende de pessoas e deve focar em resultados.

Entre as barreiras apontadas, estão a impossibilidade de correr riscos e a falta de espaço para cometer erros, além de uma cultura dependente de iniciativas individuais das lideranças e que interpreta inovação como sinônimo de encomenda de produtos tecnológicos. A burocracia nas contratações e as barreiras normativas e regulatórias também foram citadas como empecilho, bem como a sobrecarga de trabalho e a carência de competências gerenciais e capacidade técnica. O trabalho propõe algumas soluções para as barreiras identificadas. Foram elencadas 22 barreiras. “Os entraves institucionais são mais fortes do que o trampolim, mas ele existe”, acrescentou Romão.

Incentivos – Em contraponto às barreiras e dificuldades, também foram incluídas perguntas para que os participantes comentassem sobre os incentivos para a inovação. Eles elencaram apoio e interesse de lideranças institucionais; apoio de patrocinadores, lideranças e órgãos de controle; comunicação e estabelecimento de foros de discussão; gratificações organizacionais e financeiras; agenda que aproxime a temática da inovação do setor público aos avanços em diversos setores e legislações; vinculação específica da inovação ao planejamento estratégico da organização; e possibilidade de melhoria nos serviços públicos.

Intervenções propostas – Com base na Teoria da Mudança, Romão explicou que o trabalho propõe sete intervenções para promover a cultura de inovação no MP: criação de estruturas institucionais de amparo à inovação; disseminação da inovação e ativação de redes; desenvolvimento de recursos humanos para inovação; fomento a programas de inovação aberta; promoção de transformação digital; gestão do conhecimento e construção de memória institucional; e simplificação da linguagem para cidadãos.

Rede Nacional – Em outubro de 2020, foi criada a Rede Nacional de Transformação Digital do Ministério Público para promover a colaboração, o intercâmbio, a articulação e a criação de iniciativas inovadoras de forma consistente, interdependente e colaborativa. O próximo passo do InovaEscola é divulgar os achados do diagnóstico a potenciais atores da rede para conquistar mais adesões que legitimem a construção coletiva de uma agenda comum – com base na priorização de problemas e soluções. Saiba mais.

Com os resultados encontrados, foi produzido o Mapa de Atores do Ecossistema de Inovação do MP, um mural público e colaborativo em que é possível identificar onde estão os laboratórios de inovação nas unidades do Ministério Público brasileiro. Inclusões e atualizações na interface podem ser enviadas para o e-mail inova@escola.mpu.mp.br.

Confira os principais achados do 1º Diagnóstico do Ecossistema de Inovação do MP
Acesse o Mapa de Atores do Ecossistema de Inovação do MP
Ouça no Spotify ou no Deezer a entrevista com Davi Romão para o podcast do InovaEscola Rotas&Futuros

Foto de capa: Câmara.leg

Fonte: Ascom InovaEscola

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