Veredas publica estudo sobre cultura organizacional do uso de evidências no setor público brasileiro

por Instituto Veredas

10 de jan de 2021

4 min de leitura

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Como promover uma cultura organizacional com base em evidências no serviço público? Essa foi uma das perguntas que levou o diretor executivo do Instituto Veredas, Davi Romão, ao desenvolvimento do estudo “Cultura organizacional e uso de evidências no setor público brasileiro: Um estudo de caso”. A publicação é resultado do estágio profissional conduzido por Davi para o mestrado em Políticas Públicas da Blavatnik School of Government, Universidade de Oxford. O estudo ocorreu no Inasp, entidade internacional que promove sistemas de desenvolvimento social, e está disponível desde terça (26/01) na aba de publicações do Veredas.

Apesar de as evidências serem indispensáveis para resolver problemas de gestão e implementação de políticas públicas, ainda são inúmeros os empecilhos que levam gestores e gestoras a não utilizarem este recurso como ferramenta para tomada de decisão. Dentre eles, a ausência de capacitação técnica de equipes no serviço público para lidar com as ferramentas de busca de dados, o pouco tempo para a tomada de decisão e a complexidade do conhecimento científico, que por vezes acaba ficando distante dos profissionais da esfera pública.

Segundo Davi, “esses fatores afetam a utilização de evidências em diferentes instituições públicas no Brasil. Apesar de o debate sobre o tema estar crescendo no mundo, infelizmente ainda é comum que as instituições tenham dificuldade em usar evidências em suas rotinas”, disse.

Ampliando a capacidade de escuta

Para aprofundar o estudo, o pesquisador se baseou em seis entrevistas em profundidade com especialistas brasileiros. Todos os entrevistados são servidores públicos, do Executivo ou Legislativo, em nível municipal, estadual ou federal, familiarizados com o debate sobre políticas públicas informadas por evidências e líderes no uso de evidências em suas instituições. “Socializar esses achados é uma forma de potencializar o uso de evidências pelas instituições. É um processo que pode qualificar muito o impacto e o alcance das intervenções sociais”, afirmou.

O estudo aponta que as evidências ajudam a identificar soluções potencialmente eficazes. “Também podem permitir diferentes formas de compreender o mesmo problema. O uso de evidências adequadas não elimina as incertezas na tomada de decisão, mas as reduzem, quando possível, ao mesmo tempo em que as tornam explícitas e transparentes”, completou.

O que o setor público pode fazer para usar mais evidências?

Para analisar a cultura organizacional no setor público brasileiro, a nova publicação do Veredas utilizou o método de análise proposto pelo Context Matters Framework. Oito aspectos foram investigados nas entrevistas:

  1. Uso de evidências: quais os tipos de evidências mais frequentemente usados ​​e em que medida;
  2. Barreiras e tendências: quais são as principais barreiras ao uso de evidências e como esse debate está evoluindo na perspectiva do entrevistado;
  3. Crenças e valores: se a evidência é considerada um recurso relevante para a tomada de decisão;
  4. Abertura para mudança: em que medida a organização apoia a investigação crítica e a inovação;
  5. Incentivos: se há incentivos institucionais para o uso de evidências;
  6. Motivações: se as pessoas estão intrinsecamente motivadas para usar evidências;
  7. Agenda institucional: quais são as prioridades institucionais informais e como isso afeta o uso de evidências;
  8. Pontos de entrada para mudança: o que pode ser feito para promover o uso de evidências.

A publicação mostra que existe um gradual crescimento deste debate no Brasil. No entanto, há ainda muitas limitações, como interesses conflitantes, falta de protocolos, inércia organizacional, falta de incentivos e pessoal não treinado.

Para enfrentar a situação, o estudo sugere o desenvolvimento de iniciativas e ações específicas sobre Evidências para Políticas Públicas. Entre elas está a criação de unidades especializadas na área dentro de órgãos públicos, de modo a apoiar os gestores nas suas decisões cotidianas. Isso pode gerar um ganho não só para os funcionários, mas também para os cofres públicos e para a sociedade, que terá acesso a políticas que de fato são capazes de melhorar a realidade da população.

Saiba mais

A publicação foi desenvolvida no Inasp, organização internacional com quase três décadas de experiência de trabalho com uma rede global de parceiros na África, América Latina e Ásia, onde Davi estagiou. A instituição promove sistemas de difusão de conhecimento para enfrentar problemas globais e promover o desenvolvimento social.

Versão do estudo em Português

Versão do estudo em Inglês

Foto: Unicorp

Ascom Instituto Veredas

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